O título do trabalho é Operação Brote. Uma pesquisa afetiva partindo de uma receita tradicional da culinária germânica, o brote e que também é uma lembrança familiar da artista, pois sua avó Dona Cecília Nitz sempre fazia o pão.

O convite feito à Monica para participar do projeto ocorreu próximo ao período em que perdeu sua avó, o que a fez notar quanto de ternura o mundo pessoal de cada um perde quando não temos os familiares mais próximos para reviver as histórias e memórias do nosso passado familiar. A artista percebeu também que não havia aprendido a fazer o pão que cresceu comendo, o brote, e que esta receita da Dona Cecília pode ter se perdido junto com sua partida desta vida.

Sabe-se que o brote no Espírito Santo surgiu quando os pomeranos imigraram para algumas regiões do estado e não conseguiram produzir o trigo, principal ingrediente do seu pão, por conta de um clima quente e tropical e tiveram que substituí-lo pelo milho na fabricação do pão, e dessa adaptação surgiu o mihabrout, ou simplesmente brote [Brote/Brot/Broud] , um pão de milho que surgiu em 1857 e que vai se readaptando e acrescentando ingredientes como a banana, inhame etc.

As várias formas de se fazer este pão e sendo a culinária algo bem particular de cada família, levaram a artista a pensar na OPERAÇAO BROTE. Neste trabalho Monica se propõe a buscar um pouco da sua história, dos costumes e tradições de sua origem germânica e das lembranças de sua avó. Residência artística que pretende por uma semana investigar e ir à busca não só das formas de se fazer um brote, mas de histórias de famílias de sua origem, de fragmentos de suas heranças, de pistas possíveis sobre a sua família na cidade de residência e, por fim, de demarcações de eixos nesses lugares, edificando assim parte do seu afeto pelas trocas e amizades descobertas através do seu traço.

Para saber mais sobre a artista acesse:

flickr.com/​photos/​monicanitz/​
hnarte.wordpress.com/​
monicanitz.multiply.com/​
myspace.com/​monicanitz
fotolog.com/​monicanitz

Créditos

Curadoria | Rafaela Zanete
Artista | Monica Nitz
Produção e Making Off | Rafael Corrêa
Direção de Fotografia e Edição | Yury Aires
Arte Educação | Horrana De Kássia Santoz
Transporte | Brunela Nitz
Trilha Sonora | The Echelon Effect

Una passeggiata peripatetica con Amilcar Packer

Posted by Redazione in Multimedia, Speciali, ZoomUp | 1 comment

Passi e parole

Let’s talk on our way

Vorrei fermarti un attimo, mentre passi, e parlare con te, per capire cosa pensi, cosa abbiamo in comune ma soprattutto cosa ci differenzia. Non ho più la presunzione di essere diverso dagli altri ma continuo a sperare che tu sia altro da me! Siamo circondati dai segni della Storia, ma non c’è spazio per le piccole storie personali. Però, se mi concederai un po’ del tuo tempo, potremmo fare un pezzo di strada insieme e raccontarci l’un l’altro. Camminando.

(Amilcar Packer)

Passeggiate? Se sì, avete mai vagamente pensato a cosa lasciate dietro di voi camminando?

Kafka ha detto che è questo l’aspetto più importante di una passeggiata.

Ricordate Kant? Il famoso filosofo tedesco ha ipotizzato l’inverosimile senza mai lasciare Königsberg, la sua città natale, e rispettando maniacalmente alcune abitudini, tra cui la passeggiata quotidiana fatta sempre alla stessa ora, ogni giorno. Si dice che gli abitanti del posto fossero più seguaci di Kant che degli orologi.

È possibile che anche Nietzsche, grande amante del passeggio, abbia concepito l’eterno ritorno dell’uguale proprio nel corso di una delle sue frequentissime camminate.

Per non parlare poi di Socrate che, sapeva di non sapere, parlando e camminando con gli altri, oppure di Aristotele e dei suoi allievi peripatetici, il cui nome deriva proprio dal loro filofoseggiare passeggiando.

Premesso questo, voi invece, da quanto tempo non vi date a una rigenerante passeggiata peripatetica?

Noi solo da qualche giorno e per questo dobbiamo ringraziare l’artista brasiliano Amilcar Packer che, venerdì 15 luglio, ci ha accompagnato in una passeggiata attraverso i sentieri del PAV – Parco Arte Vivente.

Amilcar, ospite del PAV nell’ambito del progetto RESÒ, network internazionale per residenze d’artista, ha guidato il pubblico in un percorso nel verde fatto di passi e parole, di filosofia e storia, di analisi e teorie, di conoscenza e condivisione.

Un esercizio di immaginazione e discussione, un’azione ideata pensando di riattivare una pratica che abbiamo un po’ messo da parte, tralasciandone il fascino e il potere. Un processo aperto iniziato indossando dei drappi dalle molteplici funzioni, realizzati per l’occasione, e terminato con un allegro simposio. Nel mezzo, i nostri passi e una lezione di yoga che ci ha preparato al cammino con il respiro della luna:

Se respirare non è un’attività che si limita ai polmoni, ma a tutte le cellule del corpo, forse anche pensare non è un’attività limitata a un solo organo, il cervello.

Perché una passeggiata in compagnia?

Per parlare, ascoltare e stare con Amilcar che ha imparato l’italiano in meno di un mese.

Per riprendersi indietro il tempo, per condividere saperi senza formalità e gerarchie. Perché rigenera il cervello e perché anche questo è arte che è filosofia che è storia che è vita.

Lasciamo la suddivisione di tutto in compartimenti stagni in un posto in cui non torneremo mai più.

Usciamo fuori e andiamo a fare una bella passeggiata, proprio come facevano nell’antica Grecia.

Passi e parole. Let’s talk on our way è un evento organizzato in occasione del Festival “Architettura in Città“.

Clips from Les Blank’s classic 1980 short, “Werner Herzog Eats His Shoe.” (visit lesblank.com to obtain the whole film). The film documents Herzog fulfilling a bet he made with Errol Morris: if Morris would finish his brilliant first feature “Gates of Heaven,” Herzog said he would eat his shoe. He uses this public stunt to say some very serious things about American pop culture, filmmakers becoming “clowns” to promote their work, and the culture of images (or lack thereof). Clips like these can be found at the new Media Funhouse blog, which offers clips, reviews, a guide to YouTube and other sites, as well as everything in pop culture “from high art to low trash, and back again…” http://www.mediafunhouse.blogspot.com

(comida para ler agradece a participação e Karol Pichler no blog)

Karol Pichler novelties in the garden of I. V. Michurin

– group of Letchoidas Karolidas Cariocas

Karol Pichler – raznici

Karol Pichler marshmallow alchemy

Karol Pichler – steak-tartare

Karol Pichler – salade

frederico seve gallery — 24 de setembro de 2009,  Ny

Performance com gelatina de várias cores

Agradecimentos à Angela Freiberger.

Repartição dos Pães

Clarice Lispector
Era sábado e estávamos convidados para o almoço de obrigação. Mas cada um de nós gostava demais de sábado para gastá-lo com quem não queríamos. Cada um fora alguma vez feliz e ficara com a marca do desejo. Eu, eu queria tudo. E nós ali presos, como se nosso trem tivesse descarrilado e fôssemos obrigados a pousar entre estranhos. Ninguém ali me queria, eu não queria a ninguém. Quanto a meu sábado – que fora da janela se balançava em acácias e sombras – eu preferia, a gastá-lo mal, fechá-la na mão dura, onde eu o amarfanhava como a um lenço. À espera do almoço, bebíamos sem prazer, à saúde do ressentimento: amanhã já seria domingo. Não é com você que eu quero, dizia nosso olhar sem umidade, e soprávamos devagar a fumaça do cigarro seco. A avareza de não repartir o sábado,ia pouco a pouco roendo e avançando como ferrugem, até que qualquer alegria seria um insulto à alegria maior.

Só a dona da casa não parecia economizar o sábado para usá-lo numa quinta de noite. Ela, no entanto, cujo coração já conhecera outros sábados. Como pudera esquecer que se quer mais e mais? Não se impacientava sequer com o grupo heterogêneo, sonhador e resignado que na sua casa só esperava como pela hora do primeiro trem partir, qualquer trem – menos ficar naquela estação vazia, menos ter que refrear o cavalo que correria de coração batendo para outros, outros cavalos.

Passamos afinal à sala para um almoço que não tinha a bênção da fome. E foi quando surpreendidos deparamos com a mesa. Não podia ser para nós…

Era uma mesa para homens de boa-vontade. Quem seria o conviva realmente esperado e que não viera? Mas éramos nós mesmos. Então aquela mulher dava o melhor não importava a quem? E lavava contente os pés do primeiro estrangeiro. Constrangidos, olhávamos.

A mesa fora coberta por uma solene abundância. Sobre a toalha branca amontoavam-se espigas de trigo. E maçãs vermelhas, enormes cenouras amarelas, redondos tomates de pele quase estalando, chuchus de um verde líquido, abacaxis malignos na sua selvageria, laranjas alaranjadas e calmas, maxixes eriçados como porcos-espinhos, pepinos que se fechavam duros sobre a própria carne aquosa, pimentões ocos e avermelhados que ardiam nos olhos – tudo emaranhado em barbas e barbas úmidas de milho, ruivas como junto de uma boca. E os bagos de uva. As mais roxas das uvas pretas e que mal podiam esperar pelo instante de serem esmagadas. E não lhes importava esmagadas por quem. Os tomates eram redondos para ninguém: para o ar, para o redondo ar. Sábado era de quem viesse. E a laranja adoçaria a língua de quem primeiro chegasse.

Junto do prato de cada mal-convidado, a mulher que lavava pés de estranhos pusera – mesmo sem nos eleger, mesmo sem nos amar – um ramo de trigo ou um cacho de rabanetes ardentes ou uma talhada vermelha de melancia com seus alegres caroços. Tudo cortado pela acidez espanhola que se adivinhava nos limões verdes. Nas bilhas estava o leite, como se tivesse atravessado com as cabras o deserto dos penhascos. Vinho, quase negro de tão pisado, estremecia em vasilhas de barro. Tudo diante de nós. Tudo limpo do retorcido desejo humano. ‘Tudo como é, não como quiséramos. Só existindo, e todo. Assim como existe um campo. Assim como as montanhas. Assim como homens e mulheres, e não nós, os ávidos. Assim como um sábado. Assim como apenas existe. Existe.

Em nome de nada, era hora de comer. Em nome de ninguém, era bom. Sem nenhum sonho. E nós pouco a pouco a par do dia, pouco a pouco anonimizados, crescendo, maiores, à altura da vida possível. Então, como fidalgos camponeses, aceitamos a mesa.

Não havia holocausto: aquilo tudo queria tanto ser comido quanto nós queríamos comê-lo. Nada guardando para o dia seguinte, ali mesmo ofereci o que eu sentia àquilo que me fazia sentir. Era um viver que eu não pagara de antemão com o sofrimento da espera, fome que nasce quando a boca já está perto da comida. Porque agora estávamos com fome, fome inteira que abrigava o todo e as migalhas. Quem bebia vinho, com os olhos tornava conta do leite. Quem lento bebeu o leite, sentiu o vinho que o outro bebia. Lá fora Deus nas acácias. Que existiam. Comíamos. Como quem dá água ao cavalo. A carne trinchada foi distribuída. A cordialidade era rude e rural. Ninguém falou mal de ninguém porque ninguém falou bem de ninguém. Era reunião de colheita, e fez-se trégua. Comíamos. Como uma horda de seres vivos, cobríamos gradualmente a terra. Ocupados como quem lavra a existência, e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre, e come. Comi com a honestidade de quem não engana o que come: comi aquela comida e não o seu nome. Nunca Deus foi tão tomado pelo que Ele é. A comida dizia rude, feliz, austera: come, come e reparte. Aquilo tudo me pertencia, aquela era a mesa de meu pai. Comi sem ternura, comi sem a paixão da piedade. E sem me oferecer à esperança. Comi sem saudade nenhuma. E eu bem valia aquela comida. Porque nem sempre posso ser a guarda de meu irmão, e não posso mais ser a minha guarda, ah não me quero mais. E não quero formar a vida porque a existência já existe. Existe como um chão onde nós todos avançamos. Sem uma palavra de amor. Sem uma palavra. Mas teu prazer entende o meu. Nós somos fortes e nós comemos.

Pão é amor entre estranhos.

leo videla pos estas perguntas na mesa, e me pediu pra por aqui também:

1 Em nossa vida cotidiana, convivemos com ficções, representações e formas que alimentam um imaginário coletivo cujos conteúdos são ditados pelo poder. Você acha que habitamos nesse encontro o território do poder?

2 Até que ponto a investigação e pesquisa centrada numa via de acesso alternativa podem apontar para uma autonomia de linguagem?

3 A produção de arte contemporânea brasileira se realiza diante um cenário instável político e econômico há décadas. Você identifica a precariedade da nossa produção?
E esse resultado se deve a uma formação cultural?